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Olá, amigos gringos e brasileiros apaixonados pela Língua Portuguesa!

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Com esse post eu começo a série de textos sobre curiosidades da língua, dicas e vocabulário. E eu decidi começar com esse tema porque recentemente tive uma conversa profunda sobre o assunto com uma amiga querida.

E o tema é… NOMES GENTÍLICOS!
Sei que parece complicado, mas nomes gentílicos são nada mais, nada menos que os nomes utilizados para se referir à origem de uma pessoa, seja a cidade, o país, o estado ou, em alguns lugares, até mesmo o bairro do qual a pessoa se origina.

Interessante? Pois os nomes gentílicos em português são bem confusos!
Não seguem uma regra clara e você acaba aprendendo à medida que utiliza.

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Os nomes gentílicos são também chamados de nomes geográficos e eles geralmente são formados pela junção de um indicativo geográfico (por exemplo, Brasil) e um sufixo (que, no caso de Brasil, é “eiro(a)”).

As informações abaixo são de um texto (editado) do meu querido amigo, professor e poeta Felipe Coelho. É ele também que assina o prefácio do meu livro, que você pode comprar aqui!


Texto de Felipe Coelho sobre nomes gentílicos

Os nomes gentílicos do continente americano são formados juntando o nome do país ao sufixo “ano”.

Peru, peruano; Bolívia, boliviano, Equador, equatoriano (devia ser equadoriano…); Colômbia, colombiano; Venezuela, venezuelano; América, americano; México, mexicano; Haiti, haitiano; Cuba, cubano. Em Portugal se chama de canadiano a quem nasce no Canadá. No Brasil, dizemos canadense.

Há também a bagunça da América Central, Caribe e Guianas, para os quais utilizamos os sufixos “enho”, “eco”, “ense”, “ês”.

Honduras, hondurenho; Salvador, salvadorenho; Panamá, panamenho; Porto Rico, portorriquenho; Guatemala, guatemalteco; Nicarágua, nicaraguense, Suriname, surinamês, Guiana, gui-anês ou gui-anenses; Aruba, arubenho , arubano ou arubense; Belize, belizenho ou belizense; etc.

Há também os países onde é só colocar “o” ao final.

Argentina, argentino; Paraguai, paraguaio; Uruguai, uruguaio,  República Dominicana, dominicano.

No Brasil, dizemos que quem nasce na Palestina é palestino, já em Portugal é um um palestiniano… Mas nem sempre é assim, no Brasil diz-se que quem nasce na Estônia é estoniano, enquanto em Portugal se diz estônio.

Para os países da Europa, na parte ocidental, tendemos a formar o gentílico com ” ês”.

Inglês, francês, português, galês, irlandês, escocês, norueguês. islandês, dinamarquês, holandês e maltês, com um “finlandês” e um “polonês” perdidos no leste.

A parte do leste prefere colocar “o” ao final .

Romênia, romeno; Bulgária, búlgaro; Geórgia, geórgio; Armênia, armênio;  Suécia, sueco; Suíça, suíço; Rússia, russo; Macedônia, macedônio; Grécia (República Helênica), grego ou helênico; Bósnia, bósnio; República Checa, checo; Sérvia, sérvio, Turquia, turco).

Entre esses 2 padrões tem de tudo.
Quem nasce na Alemanha é alemão.
Na Grã-Bretanha ou na Bretanha francesa é bretão.
Na Letônia é letão.
Na Bélgica é belga.
Na Croácia é croata.
Na Itália é italiano.
No Azerbaijão é azerbaijano.
Na Hungria é húngaro ou magiar.
Na Polônia pode ser polaco ou polonês.
Na Lituânia é lituano.
Na Espanha é espanhol.
Em Chipre é cipriota.
Em Mônaco é monegasco.
Em Montenegro é montenegrino.
No Kosovo é kosovar.

Para completar, quem nasce nos continentes da América, da África e da Austrália é, respectivamente, americano, africano e australiano.
Quem nasce no subcontinente da Índia é indiano.
A regra parece quase perfeita, mas quem nasce na Europa não é europano e sim europeu e quem nasce na Ásia não é asiano e sim asiático.
Como ninguém nasceu na Antártida (também chamada Antártica) ainda não há pessoas mas todo o resto (gelo, pinguins, baleias, bases) é antártico e não antartidano ou antartidês ou antartideco ou antartidense…

A única coisa certa é que isso é uma confusão.
Quem nasce na  Espanha é espanhol e não espanhês (a norma da Europa Ocidental) pois a Espanha juntou os galegos da Galícia, os catalões da Catalunha, os castelhanos de Castela, os bascos do país basco, os valencianos de Valência e os andaluzes da Andaluzia. Na era islâmica, a Andaluzia era toda a Espanha, El Andaluz, um nome derivado dos vândalos, um poderoso povo germânico da Polônia que migrou até a Tunísia. Os vândalos ficaram com o nome mal visto, talvez injustamente, mas impressionaram os árabes e daí El Andaluz era a Espanha. Para os judeus a espanha era Sefarad, daí os judeus sefarditas, expulsos da Espanha pelos Reis Católicos. Para os romanos (e os seus descendentes) a Iberia era Hispania, dividida em várias províncias, uma delas a Lusitânia.


Gostou do texto do Felipe Coelho?

Pra continuar essa listinha interessante, no próximo post eu vou falar dos gentílicos de todos os Estados Brasileiros, das capitais e de algumas outras cidades. Vou aproveitar também para explicar alguns bem curiosos!

Deixa um comentário aqui me dizendo o que você achou do conteúdo e sobre o que gostaria que eu escrevesse! Ah, e divulga o meu link para quem você achar que possa se interessar!

Muito obrigada e até a próxima!!

Com carinho,

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Comments(6)

    • Andrea Itana de Oliveira Alves

    • 1 year ago

    Adorei o artigo da semana!!! Nosso idioma é realmente rico e cheio de regras.

    1. E cheio de regras com exceções, né?

    • Cíntia

    • 1 year ago

    Uauuu, muito interessante saber as origens, principalmente da palavra sefardita. Adorei!

    1. Eu descobri tanta coisa preparando esse texto e o próximo!! É um aprendizado também para mim!

    • ERIKA DIAS LINS

    • 1 year ago

    Hahahahah pra variar o portugues nunca tem uma regra assim, digamls, tão linear. Eu ri na parte da antártida hahhahaha! E ja quero ler sobre os estados do Brasil, esse vai ser massa!

    1. Confesso que o dos Estados está recheado de curiosidades que eu amei descobrir!!

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